domingo, 5 de junho de 2011

Canção de domingo.

Desastre pelo chão.
Subia uma de lá enquanto descia a outra pra cá, em desordem, em confusão.
Foi puxão de cabelo, tapa e arranhão.
Também teve murro, pontapé e beliscão.
Suadas, separaram em exaustão,
feridas, anunciaram a decisão.
Detonada, reconheceu a vontade de estar só
que era mais forte a solidão.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

8 + 80

Faço essas contas e aprendo o bê-a-bá
não é de não ter Floripa que me contento com BH
Se é que me entendem e é possível que não
meu dialeto indecifrável em certa ocasião
e nessa ocasião hei de esperar um sinal
que poeira e restos não servem mais afinal
E essa maldita confusão no âmbito da profissão (ulalá)
também não ajuda no resto da arrumação
E o maldito Guilherme Arantes vem me dizer:
"infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer..."
então me responde por que diabo eu espero
se NUNCA NADA é do jeito que eu quero.
Vou parar de dar ouvido a maluco.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fábula.

Eis que Narciso olhou contrariado uma imagem que era sua
pois que refletido via seu inverso e não o que esperava de si
Ao lhe sorrir direito o outro, sentia contrair em espanto seu lado torto
ao lhe acenar com o braço esquerdo, apenas endireitava indiferença e desdém
...quase avesso
Tomado por súbito terror, assombrou-se em catarse para averiguar aquilo que amava
seria seu puro interior que sempre havia admirado,
ou estivera sempre a contemplar tudo aquilo que não era?
Não sabia se devia mais se orgulhar de sua encantadora figura
pois que não se permitia enxergar além do que se refletia
e que percebia, agora, ser seu oposto.
Se contrariou em vergonha, e aceitou que se permitia amar outras formas de si, ainda que distorcidas e confusas, talvez incompreensíveis.
E em silêncio pediu perdão, mas se orgulhou, pois viu que seu amor, muito antes de egoísta, era fraterno.
Eis que a imagem no espelho contemplou Narciso, e pensou se ver, ao então perceber, que era um amigo que lhe sorria.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Fim de ano

Medo sem fim desse paraíso que roubou meu inferno, medo desse ano acabar, e essa calmaria nunca mais voltar.

Medo desse ano ímpar.

sábado, 30 de abril de 2011

Jazz

Me faz lembrar daquele dia que as nuvens
partidas
a milhão
mostraram o céu mais cheio de estrelas
Era o dia da noite mais bela que a chuva
partida
a milhão
tinha mostrado o sol mais cheio de calor
e a noite mais cheia de calor.
Jaz agora, em minhas vistas, uma parede encardida, lembrando e querendo menos água.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Canção do desaparecimento

E olho um rosto
abatido
a ti rogo a prece
da despedida

E vejo um ombro
querido
de mim se separa
na partida

A ti desejo
agora que partido
Coração
sorte de verdade

A ele prevejo
meu caro amigo
furacão
de pura saudade


P.S.: *Para Vitor, claro.