Eis que Narciso olhou contrariado uma imagem que era sua
pois que refletido via seu inverso e não o que esperava de si
Ao lhe sorrir direito o outro, sentia contrair em espanto seu lado torto
ao lhe acenar com o braço esquerdo, apenas endireitava indiferença e desdém
...quase avesso
Tomado por súbito terror, assombrou-se em catarse para averiguar aquilo que amava
seria seu puro interior que sempre havia admirado,
ou estivera sempre a contemplar tudo aquilo que não era?
Não sabia se devia mais se orgulhar de sua encantadora figura
pois que não se permitia enxergar além do que se refletia
e que percebia, agora, ser seu oposto.
Se contrariou em vergonha, e aceitou que se permitia amar outras formas de si, ainda que distorcidas e confusas, talvez incompreensíveis.
E em silêncio pediu perdão, mas se orgulhou, pois viu que seu amor, muito antes de egoísta, era fraterno.
Eis que a imagem no espelho contemplou Narciso, e pensou se ver, ao então perceber, que era um amigo que lhe sorria.