segunda-feira, 4 de abril de 2011

Alívio

Mute desapertado.
Sou ruim de mudez.
Misturar sem som
falar na minha voz
ouvir no seu ouvido
e já ao longe
ouço cachoeiras
como antes ouvi
meu caro
a ti.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Oxi.

Vade retro esquisitice
antes que eu ache graça.

domingo, 27 de março de 2011

A última dor

E nesse dia que me fiz bola em minha cama
encolhida, tentando caber num espaço menor
amassada como papel,
ouvindo barulho de água, da chuva e da pia pingando
da cozinha alagando,
da vizinha reclamando,
tentando
agradar meus gatinhos pra eles me deixarem em paz
nesse dia, pelo menos,
que me permiti sentir a última dor,
sentida em contagem regressiva,
nesse dia, que já se vai,
comemoro,
essa última dor,
porque ela tá aqui comigo,
como tinha que estar,
mas contando um a um, sem correr,
os segundos pra acabar.
Pois agora, que já há muito se foi o fim,
se vai o último resquício de mim,
e para de doer enfim.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pra casar.

Solenemente, diante de vós, eu juro
para sempre e todo sempre aguardar.
Minha alma e meu querer eu asseguro
são seus e ficarão a te esperar.

O corpo pode e vai se aventurar
mas juro de novo que é por puro acaso.
Não me venha de moralista posar
quando és tu que não me quer ter ao seu lado.

E não ligo pra essa espera sem fim
aproveito as migalhas que me jogam.
Sei que não virá nada melhor pra mim
das aventuras que sobre mim assolam.

E hão de me julgar doida varrida
de querer quem nem nota minha existência.
É que prefiro me fazer despercebida
e acreditar que chegará sua preferência.

Mas um pingo de razão me faz encarar os fatos
caso esse dia nunca venha à tona...
pelo menos me fazem companhia meus gatos
que já compõem minha imagem de solteirona.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nesse mundo só tem louco

E eu sou a primeira a me manifestar
pairando em minha pretensa insanidade
na sede dos outros doidos julgar

Eu confio na minha descarada lucidez
quando outro surge bradando em delírio
e fico sã quando mergulho na embriaguez
quando a guarda baixada recebe algum auxílio

Nesse mundo só tem palhaço.

E eu sou engraçada
quando ouço palhaçada
me meto a dar risada
pareço descontrolada
e me dizem alucinada.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Poema dos dias atuais

(Autor: MACIEL, Paulo Richard)

Todos os dias, os dias todos
procuro ser levado à perfeição
Preciso evitar a exaustão
E permanecer lúcido

Na maior parte do tempo
É como sonhar com tudo e não ter nada
Ou como se apaixonar outra vez pela pessoa errada
Mas eu tento

Todo dia alguém me conta
Que devo acreditar em faz-de-conta
Que não é só pensar em meu salário,
que é melhor fazer mais o meu trabalho
É? E quem vai pagar minhas contas?

No próximo final-de-semana
Tentarei encontrar uma barraca de praia sem sonhar acordado
Procurarei então só caminhar na areia sem ser assaltado
Para entender a lei e sair voando...

Não posso dormir, ainda falta muito pra meia-noite
Agora é um pouco cedo pra estourar o meu limite
Acho que é boa hora pra procurar uma outra fonte
Talvez deva sentar um pouco e navegar na internet

E a toda hora tem mais lixo chegando
Parece que estão todos produzindo - será que tem alguém limpando?
Daqui a pouco uma nova usina-bomba nuclear pode acabar com tudo
Paus e pedras de novo? Só se for em outro mundo
(CUIDADO!)...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

...por pensar assim...

No escuro eu matuto enquanto outros dormem
que tipo de dia será amanhã?
Que loucura posso inventar pra chocar o mundo?
E penso talvez em mil coisas que poderiam ser.

No escuro eu perco meu tempo de jovem
vivendo em silêncio uma estratégia vã?
De que vale um sonho e um plano novo a cada segundo?
Fico na lamúria petrificada ao invés de me mexer.

Mas quando amanhece eu tô sempre cansada.
Coisa de quem ficou devaneando de madrugada.
E tudo de mágico que no dia ensejo
se perde na lágrima de cada bocejo.

No sol eu ando, espero, e converso
chego de um lugar, rumo pro outro, dentro do prescrito
não do que eu planejei antes de dormir (não...)
mas do que o dia a dia me faz repetir.

No sol me imagino no holofote do sucesso
chego a pensar no cenário mais bonito
planejo os discursos que vou proferir (e então...)
aparece a sombra pra essa imagem sumir.

Mas quando eu chego eu tô sempre suada.
E o calor me faz ficar mal humorada.
Daí o glamour acumulado na trajetória 
evapora no travar da porta giratória.