domingo, 6 de junho de 2010

Rumores...

Ouviu certo, agora eu procuro efemeridades
porque até um meio termo entre o mais e o menos já inventaram pra complicar
A paixão continua sedutora, um hobby tão antigo
mas tudo que não preciso é minha cabeça fora do lugar
O amor continua lindo, sempre o sentido da vida
mas não quero entrar em guerra pra gostar de alguém
(descobri, todo mundo tem medo do amor)
O nada agora até me atrai, falta de tempo
mas pra mulher carente a física não permite ficar sem ninguém
Romance? Tô fora!
Se os guardiões da moralidade me permitem dizer
as efemeridades estão mais fáceis de viver
Se estou andando pra trás no curso certo da vida
prefiro arriscar a solidão que criar outra ferida
Se complicar por ser mais ou ser menos é hoje o menor dos problemas
me contentar com mais ou menos é o maior dos dilemas

Senhorita Lasserre: terça-feira, 5 de junho de 2007

terça-feira, 1 de junho de 2010

Risco empresarial.

Cava sua cova
regando
cultivando
seu fim.
Cego de rancor
não percebe seu pescoço
enfeitado num laço
pronto pra se lançar
(talvez ao som de Doris Day =D)
Mas quem virá salvar o dia?
Tá se impondo erudição
tá crente que pode
Sem poder
E sem o poder?
Tá dizendo que é escolado
mas tá parecendo é burro
mais tá parecendo bobo
ou suicida..
Diante dos súditos
Com a cova sob os pés
a corda no pescoço
e a falta de razão.

*Para o chefe.

"A serenidade é o fim para as almas atormentadas."

terça-feira, 25 de maio de 2010

Decifra-me ou...

Não foi de cara, confesso
mas não tardou a chegar
Aguça a percepção de que algo está fora do lugar
Que inseriu no quadro uma cor destoante
e não é com essa cor que vai seu quadro pintar
que não é dessas fontes que irá em breve se inspirar
No meio tempo, aproveita, bebe a água que sobrar
Mas não finge que tal bebida é a melhor no paladar
Todo mundo sabe que não gosto de água!

(E todo mundo estranha...)
Mas não são muitos que sabem que doce não é meu forte
Tem gente que vê de cara, confesso
que meu gosto é amargo

Vive ainda, não nego
mas não me faço de burra pra o tempo prolongar
As cartas estão na mesa, embaralhadas
esperando pras canastras formar
Um exército de cartas marcadas
prontas pra cabeça cortar
ou as orelhas, e não me faço de morta aqui nesse lugar
meus infinitivos não vão tão bem como em Ju
Mas com um esforço posso também rimar

domingo, 23 de maio de 2010

8 dias para o fim do mês.

Veio ao som das gotas de chuva
Sem decidir direito a direção
Duvidando do que tinha de si
Apanhando migalhas com a sorte
Sorteando as horas de ser feliz
Aceitando o que veio de ruim
Usando bem os exemplos negativos
Aprendendo com os erros
e repetindo de pirraça
Veio aqui onde estou
vai aí onde está
espere.
Juro que não escondo nada, não é de mim.
E agora que começa novo ano, a mesma chuva há de virar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Do lado de dentro.

Precisa um pouco de mim, pra sair da mesmice
Tá bom que para, mas depois começa, e de lá segue
Precisa um pouco, bem pouco, é estranho
Não faz mal se não for eu, pode ser alguém
Não nota, bobagem, se eu vou por lá
Posso então relaxar, me guiar, se for eu por aqui
Já é quase hora, não dá pra negar
Deu quase aquela hora, que precisa sempre dar
Se estou esse tempo que é curto
Cuidar de libertar, usar esse pouco
E em seguida levantar e seguir, em seu rumo
Que é breve essa forma de me usar
Mas é como deve ser, como se lê nas instruções
Desse objeto de uso prescrito, homeopático
Que não serve pra curar, serve pra ferir
Pra que das cinzas do ostracismo surja enfim o dom da inspiração
Que não sou eu, não, mas ajudei a criar.
Já meu preço, tá difícil de cobrir
Sobra então meu lado de cá
No meu frio inferno que acaba agora que o ano vai começar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fique.

Não dá pra andar lá
no seu mundo
Porque vi a placa de proibido entrar
Sabe, sou daquelas que seguem as ordens
Principalmente as que não faz sentido questionar
E não questiono.
Não tenho nem curiosidade
que esse interessante não faz questão de ser pra mim.
Quem sou eu pra fazer questão de achar?
Oh, desdenha...? acomodada, passiva, e talvez ainda mais dopada
ainda mais acostumada, mesmo sem viver
É que aqui onde eu ando
meu mundo
sigo a ordem:
vou andando caminhos dos outros, sem participar
vou fazendo meus próprios caminhos, sem convidar
e vou fechando todas as portas, sem proibir.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

É simples como a natureza
instintivo
Devastador como a chuva
molhado
Necessário como o outono
apegado
Meio de abril.

Cá eu no meio de Abril, no meio do temporal, no meio do começo, natural, alheio, aqui.