Então a palavra foi embora levando o sorriso na mala
que aquele que faltou com a palavra só serve pra ficar só
E o eu que agora ficou mudo
Que curou os calos dos dedos de palavras criadas
não mais na palavra crê
já não sente mais que ela é tudo que lhe resta
já foi tudo que tinha
mas se calou.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Silencio
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Princesa de chamas
A dor que não larga e o pesar que não separa, abre as cortinas
Esquentemo-nos no abraço quente da mágoa: pública
Maquio o rosto em lágrimas coloridas
para ganhar a noite em solidão
Reunir todo o despeito do mundo, toda a tristeza de todas as pessoas
para reinar soberana,
ofendida,
amuada,
destratada,
martirizada
no espetáculo choroso
do drama.
Saudações, da terra do gelo.
sábado, 30 de novembro de 2013
Quem diria
Primeiro ergueria as paredes, querendo afastar os perigos. Ia querer cercar.
Depois construiria um telhado, querendo inibir o sol e o calor, a chuva e o frio. Ia querer cobrir.
Colocaria uma porta e trancaria. Ia querer me proteger e ser só contra o mundo.
E eu seria só enquanto viveria nesta casa que seria minha casa, com as coisas que seriam minhas coisas, e sentimentos que seriam só meus.
Ia querer me isolar atrás desses muros, andar pelos quartos e salas vazios, afastando todo o resto.
Me trancaria em minha casa mesmo sabendo que era a ti que eu mantinha do lado de fora.
E assim eu estaria a salvo.
Mas eu então, quem diria, sentiria falta do mundo. De viver como o mundo, e sentir como o mundo.
Sentiria saudade do sol e do calor, da chuva e do frio. E me veria desejando até o perigo.
Assumiria o risco.
E num ato de loucura, sim, loucura, viraria a chave, giraria a maçaneta, abriria a porta.
Como um milagre, ainda estarias lá.
E só então, quando entrasses enfim, minha casa deixaria de ser uma casa.
Se tornaria um lar.
Depois construiria um telhado, querendo inibir o sol e o calor, a chuva e o frio. Ia querer cobrir.
Colocaria uma porta e trancaria. Ia querer me proteger e ser só contra o mundo.
E eu seria só enquanto viveria nesta casa que seria minha casa, com as coisas que seriam minhas coisas, e sentimentos que seriam só meus.
Ia querer me isolar atrás desses muros, andar pelos quartos e salas vazios, afastando todo o resto.
Me trancaria em minha casa mesmo sabendo que era a ti que eu mantinha do lado de fora.
E assim eu estaria a salvo.
Mas eu então, quem diria, sentiria falta do mundo. De viver como o mundo, e sentir como o mundo.
Sentiria saudade do sol e do calor, da chuva e do frio. E me veria desejando até o perigo.
Assumiria o risco.
E num ato de loucura, sim, loucura, viraria a chave, giraria a maçaneta, abriria a porta.
Como um milagre, ainda estarias lá.
E só então, quando entrasses enfim, minha casa deixaria de ser uma casa.
Se tornaria um lar.
sábado, 23 de novembro de 2013
Só
Se pensa que vai explodir
de carregar o peso de um mundo sozinha
um mundo inteiro, denso, nebuloso, insone, solitário
Se explodir
virando milhares de outros mundos
todos desabitados, desolados
Se engana.
Ao contrário, definha.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Não é nada disso:
A carne que rasga, a pele que esfola, o sangue que escorre
Acalmai-vos
não é morte.
A dor que sufoca, o grito que enrouquece, o silêncio que amarga
Suportai
não é morte.
A angústia que desentranha, o choro que regurgita, o desespero que paralisa
Tranquilizai-vos
não é morte.
A saudade que mata, a vontade que mata, o arrependimento que mata
Diverti-vos
também não é morte.
(é só ciume)
Acalmai-vos
não é morte.
A dor que sufoca, o grito que enrouquece, o silêncio que amarga
Suportai
não é morte.
A angústia que desentranha, o choro que regurgita, o desespero que paralisa
Tranquilizai-vos
não é morte.
A saudade que mata, a vontade que mata, o arrependimento que mata
Diverti-vos
também não é morte.
(é só ciume)
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